Sob Pressão


Sob Pressão

Mais um filme nacional, nesse fim de ano, para dar orgulho. O título já diz, claramente, o que vem pela frente. Ficamos sob efeito de uma tensão sem fim, por diversos motivos.

Júlio Andrade é “dr. Evandro”, chefe de emergência de um hospital público, no Rio de Janeiro. Um lugar que por si só já é um caos, piora quando começa uma guerra, no morro, entre policiais e bandidos e todos vão parar na mesma emergência. Além do militar e do traficante, há uma criança; um menino que é filho de um homem poderoso, dono de um jornal e que pode destruir a imagem do hospital. Todos baleados, correndo risco de perder a vida.

Três pessoas com sérios problemas e o hospital com um centro cirúrgico só! O capitão da polícia quer que seu colega seja atendido logo. Afinal, a preferência com certeza não é do bandido. O pai do garoto grita aos quatro cantos que vai falar mal do hospital. E o bandido... não tem companhia, mas é o que dá para salvar logo.

A situação, que já é ruim o bastante, fica mais sufocante quando é evidenciado o vício químico de “dr. Evandro”, seu tempo sem dormir e uma equipe com membros excelentes e outros nem tanto, deixando escapar detalhes importantes.

O filme de Andrucha Waddington é uma realidade sem floreio, levada ao cinema para dar um soco na boca do estômago de quem vive às cegas, culpando os médicos por mortes e demoras em filas intermináveis. É difícil perceber que com o recurso que lhes são passados, eles trabalham fazendo milagres. Impossível não tomar partido.

De uma competência imensa, o filme é tenso da primeira sirene que ecoa pela sala até a última. Fiquei com a sensação de que poderia ser feito um seriado desse meio, já que o filme consegue ser melhor do que muito seriado médico que tem por aí, cheio de romances e mortes bonitas para fazer o público ir às lágrimas.

Ponto alto para Marjorie Estiano, que a cada trabalho mostra o seu crescimento como atriz. Ícaro Silva como o competente “Dr. Paulo” e Andréa Beltrão como “Ana Lúcia”, administradora do hospital, só reforçam o grande elenco que compõe o longa. A participação do carismático “Samuel”, vivido por Stepan Nercessian, dá um pouco de leveza, em algumas cenas, ao filme.

Uma orquestra regida da melhor maneira possível, com um resultado impecável.

“Sob Pressão” estreia hoje, 17/11.


Pequeno Segredo


Pequeno Segredo

Baseado em fatos reais, “Pequeno Segredo” traz três histórias que se conectam. O filme do diretor David Schurmann, que errou feio anteriormente em “Desaparecidos”, é uma parte da história de sua família, o que talvez tenha o ajudado a realizar um filme tão bonito e emocionante.

O possível representante do Brasil no Oscar, tem uma fotografia impecável e atuações maravilhosas, como das veteranas Júlia Lemmertz (Heloisa Schurmann), Maria Flor (Jeanne) e Fionnula Flanagan (Barbara). As mulheres estão indiscutivelmente fantásticas.

O roteiro, a princípio, pode ser um pouco confuso. Entretanto, quando você o entende, ele flui sem maiores problemas. É um pouco do que estamos acostumados a ver em dramas: amor arrebatador, família, problemas internos etc.

Por ser um drama real, não pude deixar de me envolver, principalmente quando comecei a entender o que aconteceria. Quem conhece a história da família, não terá surpresa, talvez ache o filme até monótono, mas ele é, na verdade, bastante comovente.

O amor entre “Jeanne” e “Robert” é pouco convincente, talvez porque os atores não tenham nenhuma química, apesar da bela atuação, como eu citei anteriormente, de Maria Flor, ou pelo fato de ser mostrado superficialmente; uma base para chegar ao fim, sem aprofundamento.

A personagem sem-noção “Barbara” cumpre bem o seu papel de ser extremamente irritante, mas tem um certo carisma. O tipo de parente que a gente só vê graça, porque é da família dos outros; se fosse da nossa...

A relação entre “Heloisa” e “Kat” e o desenrolar de como elas chegaram nessa relação-parceria de mãe e filha, é tão bonito, que é injusto dizer que “Pequeno Segredo” apela para a emoção. A emoção está ali, simplesmente. Um filme que narra uma história baseada em fatos reais, principalmente, quando dirigido por alguém que esteve no meio dessa narrativa, não tem como não ser aprofundado sem nenhum sentimentalismo. Dura do jeito que já é, essa história precisava sim de um pouco de “floreamento e borboletas”.

O livro de Heloisa Schurmann, “Pequeno Segredo – A Lição de Vida de Kat para a Família Schurmann”, foi adaptado de uma maneira bonita e honesta pelo seu filho, David.

Ponto alto para a estreante Mariana Goulart, que entrega um trabalho maravilhoso! Por ser uma criança passando por momentos tão difíceis e descobertas que muitos adultos não aguentariam, mesmo assim, com uma leveza surpreendente.

A garotinha “Kat” merecia mesmo uma homenagem dessa!

Mais um bom capítulo na história do cinema nacional, “Pequeno Segredo” estreia hoje, dia 10 de novembro.


XXX3 - Trailer Legendado


Trailer legendado de "xXx: Reativado".




A Luz Entre Oceanos



“Você só tem que perdoar uma vez. Mas para se ressentir, você tem que fazer isso o dia todo, todo dia. Tem que ficar se lembrando de todas as coisas ruins.”

Baseado no romance homônimo de M.L. Stedman, “A Luz Entre Oceanos” chega às telonas sob a direção e roteiro de Derek Cianfrance; com Michael Fassbender, Alicia Vikander e Rachel Weisz.

“Tom Sherbourne” trabalha num farol e mora com a esposa, na região costeira da Austrália, isolado do resto da cidade. Após tentativas frustradas de terem um filho, “Tom” e “Isabel” encontram um barco à deriva com um bebê e um homem morto. Com tanta tristeza por conta dos abortos de “Isabel”, eles decidem ficar com a criança e cuidar dela, como se fosse filho deles.

O filme é um drama pesado e a tristeza paira nas duas horas e meia, até mesmo nas cenas felizes. Talvez seja o tom melancólico dele, que está ali, do início ao fim. Não li o livro, mas caso o filme seja fiel, imagino que deva ser uma leitura difícil e arrastada, para que se tome fôlego e possa seguir em frente.

Contudo, o filme é muito bom! Um pouco longo, mas bom. Algumas vezes, torci para que acabasse logo, porque é difícil digerir. Digerir, inclusive, os seus princípios ali. Você torce para uma personagem que é errada, mas não chega a ser uma vilã. Deseja que outra, que é a certa, mas não chega a ser a mocinha, deixe tudo do jeito que está e siga sua vida. Entretanto, ao se por no lugar dela, a gente se pergunta se faria isso. É complexo!

Me arrancou da minha zona de conforto, no cinema e me fez ir para Austrália, tentar resolver tudo pacificamente. Impossível.

A fotografia do filme é uma atração à parte. Vale a pena ser vista e admirada.

Alicia Vikander ratifica o motivo de ter ganhado um Oscar (atriz coadjuvante) esse ano. Sua interpretação é a certeza de que, em pouco tempo, ela receberá o maior prêmio do cinema, mas dessa vez, como melhor atriz. Sua personagem que tem, a princípio, a ousadia da juventude, vai se transformando em uma mulher feliz, depois numa mulher deprimida e, em seguida, numa mulher desesperada, cheia de remorso e raiva. Trabalho impecável da atriz.  Michael Fassbender como um homem cheio de traumas, que segue sua vida com poucas palavras, mas cheio de bondade, princípios e amor, ratifica, também, a frustração por ele não ter uma estatueta em casa. Ele fica melhor a cada dia! Rachel Weisz não fica atrás. A personagem tão cheia de dúvidas e certezas sobre como lidar com a situação, passa o sofrimento com muita facilidade para quem assiste. É quase impossível não se colocar nos lugares de todos.


Para quem gosta de um drama intenso, onde as chances de derramar lágrimas são de 99,9%, “A Luz Entre Oceanos” entrega de forma bonita, mas triste, um dos filmes mais pesados que já assisti. 

Trolls


Nova animação da DreamWorks Animation, “Trolls” chega aos cinemas com muita cor viva e muita música boa para entreter as crianças (e seus pais). Um show de fofura em 3D!

“Poppy”, uma princesa troll, dá uma festa com direito a muita música e abraços. Mesmo com avisos de “Tronco”, um troll mau humorado, o som é levado até a última potência e o reino dos trolls acaba sendo descoberto, depois de anos de paz, pelos Berguens.

Os Berguens são o oposto dos bonitinhos trolls; tristes, sem humor, eles só conseguem conhecer a felicidade quando se alimentam das criaturinhas felizes. Então, eles invadem o reino dos pequenos e os leva para a ceia. Ao ter seus amigos sequestrados pelos Berguens, “Poppy” embarca numa aventura com “Tronco”, onde os dois acabam descobrindo que podem se divertir juntos.

Anos depois de o sucesso “O Príncipe do Egito”, a DreamWorks aposta novamente em um musical, que tem a receita fechada para ser a animação mais querida, do momento, pelas crianças. O festival de cores e ritmos não deixam nenhum olhar e ouvido imunes.

Com direção de Mike Mitchell (Shrek) e Walt Dohrn (Bob Sponja), roteiro de Jonathan Aibel e Glenn Berger, os responsáveis por “Kung Fu Panda”, e trilha sonora de Justin Timberlake, “Trolls” promete levar novas músicas chicletes para substituir o grude icônico “Let It Go” e dar um pouco de descanso aos adultos.

Na versão internacional, quem dubla “Tronco” é o próprio Justin, que leva o seu sucesso “Can’t Stop The Feeling” para a animação. Anna Kendrick é a responsável pela voz de “Poppy”. Na versão dublada, “Tronco” é dublado por Hugo Bonemer e “Poppy” por Jullie. Apesar de não ter assistido a versão original, gostei muito da dublagem dos dois. Os atores têm vozes excelentes e cantam muito. Acho que que não ficou devendo nada ao original.

A maioria das músicas ganhou versão nacional, o que é meio irritante, mas relevamos por causa das crianças.

“Trolls” estreia hoje, 27 de outubro, nos cinemas. Leve as crianças e se divirta junto, cantando diversos sucessos que amamos. 

Fora do Rumo


Jackie Chan está de volta! Ao lado de Johnny Knoxville, o chinês encarna “Bennie”, um detetive em busca de justiça, após o assassinato do seu parceiro. Perseguindo “Victor Wong”, para provar seu lado criminoso, “Bennie” acaba sendo afastado da polícia. Entretanto, quando sua afilhada se envolve com uns mafiosos, ele precisa ir atrás do homem que colocou a menina em maus lençóis. O homem é “Connor Watts” (Knoxville), um norte-americano sem noção. Juntos, eles partem rumo a Hong Kong, a fim de resolver tudo.

O filme já começa com ação e situações engraçadas, típico dos filmes de Jackie Chan. A trama é desenvolvida na medida certa e a viagem da dupla é bastante divertida. Situações inusitadas, mas que não deixam de animar quem assiste. O melhor momento do filme é durante a passagem dos dois pela Mongólia, onde todos cantam “Rolling In the Deep”, de Adele. Queria assistir a essa cena mais uma vez.

Apesar de apenas ser mais do mesmo, o carisma de Jackie Chan ajuda na hora de decidir se gostamos ou não do filme. Seu jeito de lutar, também. Ver quem domina as artes marciais em ação é sensacional. Knoxville não fica atrás. Seu “sorriso” conquista fácil e seu personagem, mesmo que caricato, se encaixa na história do filme.

Dificilmente assistirei novamente, mas é inegável que me diverti nas quase duas horas dentro do cinema.

Quando acaba, o filme dirigido por Renny Harlin, deixa a sensação de “Sessão da Tarde”. 

A Garota no Trem



Após ler “A Garota no Trem”, passei um ano na espera desse filme. Me apaixonei pela narrativa de Paula Hawkins. Sua forma de conduzir suas personagens, sua escrita e a forma de casar as situações... ela é brilhante. Vi todas as cenas claramente em minha cabeça e desejei profundamente vê-las em uma sala de cinema. Quando assisti, me senti aliviada! Tate Taylor (diretor) e Erin Cressida Wilson (roteirista) entregaram um filme de suspense completamente competente e bastante fiel à sua base.

Principalmente, pelo fato do livro ter três narradoras, o que eu imaginava ser complicado levar para as telas, mas que não deixou a desejar em nada.

“Rachel” pega, todo dia, às 08h04 o trem. Através das janelas, ela acaba se interessando por um casal, que aparenta ter uma vida conjugal perfeita; o oposto da que ela teve com seu ex-marido. Por coincidência, a casa em que morou com o ex, fica próxima à casa do casal apaixonado.

A vida de “Rachel” é repetida todos os dias. Ela está presa ao seu cotidiano. Não há emoções. Entretanto, tudo muda quando ela ver algo de estranho na casa do casal e, depois, nos noticiários, o sumiço da mulher.

A protagonista tem pouca credibilidade; abusa do álcool, mente sobre o emprego, persegue o ex-marido “Tom” e tem apagões por causa de seu alcoolismo. Nada pode ajudar “Rachel” em ser uma boa testemunha, mas, mesmo assim, ela deseja ajudar o casal que, de certa forma, já é tão íntimo, para ela.

O filme, assim como o livro, não tem um final surpreendente. É fácil de sacar suas mensagens, ainda mais quando a gente já conhece o gênero. Apesar disso, assim como eu falei do livro, a trama toda é envolvente e faz o final previsível valer a pena. Às vezes, o que o espectador quer, não é um final surpreendente, mas uma narrativa que não faça ele se arrepender do valor do ingresso.

Emily Blunt está indiscutivelmente maravilhosa na pele de “Rachel”. Suas expressões fazem com que você sofra junto a personagem. Se duvidar, até sentir o cheiro de álcool emanando do seu hálito. Os olhos vermelhos e seus rompantes de loucura... tudo muito bem trabalhado e com êxito.

Rebecca Ferguson como “Anna”, a atual mulher de “Tom”, na pele de uma esposa que sente saudades de ser a amante, mas que está satisfeita com seu papel atual, também consegue passar bastante credibilidade.

Haley Bennet como “Megan”, a moça desaparecida, a esposa com um relacionamento perfeito, observada por “Rachel”, que tem uma história fantástica por trás e parece nunca está satisfeita com nada que  a cerca.

As atrizes fazem um trabalho dignos de admiração. Os atores, Justin Theroux e Luke Evans, encarnam seus personagens com muita responsabilidade, mas o filme, com certeza, é das mulheres.

Para quem assistiu/leu e gostou de “Garota Exemplar”, “A Garota no Trem” é, sem dúvidas, o filme certo para assistir essa semana.

“A Garota no Trem” estreia 27 de outubro, quinta-feira. 

A Garota no Trem - Trailer Legendado





Confira o trailer legendado de "A Garota no Trem".





A Garota no Trem (Livro)

Li o livro ano passado. Como vou assistir ao filme hoje, resolvi postar a crítica antes, para que não corra o risco de mudar de opinião. 


Rachel é uma alcoólatra. Desde a morte de seu pai, sua vida declinou, ela só encontra saída na bebida. Por causa da bebida, perdeu seu marido, seu emprego e sua dignidade. 

Tom é seu ex-marido. Enquanto esteve casado com Rachel, mantida um caso extraconjugal com Anna. Sua atual esposa e mãe de sua filha, Evie. 


Megan e Scott são um casal apaixonado, vizinhos de Tom e Anna e as "vitimas" da fantasia de Rachel, que os vê, todos os dias, quando pega o trem da 08:04, para ir fingir a sua vida. 
Em uma das suas idas, ela vê "Jess" com outro cara. E sua fantasia sobre o casal perfeito, vai por água abaixo. Tudo piora, quando ela vê que Jess está desaparecida. 


Sem ter muita animação na sua vida, Rachel decide tomar uma atitude em relação ao desaparecimento da mulher e acaba se metendo em uma grande confusão. 


Desde o início, eu tinha 90% de certeza de quem era o responsável pelo desaparecimento de Megan. E estava certa. E é isso que anda me incomodando em livros e filmes de suspense. A falta de surpresa. Não que seja ruim, não é. É muito bom. Eu amei, recomendo, mas não posso dizer que me surpreendeu. 


Quero muito assistir ao filme. Tenho certeza de que será excelente. Adoro comparar cenas do cinema às da imaginação. 


Vem 2016!!!