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Alice Dramática

Alice Dramática

Tenho um gosto cinematográfico diversificado, mas apesar de ter uma inclinação maior para thrillers, eu sou uma romântica incorrigível. Culpo meu signo, “Peixes”, porque graças a Deus, posso fazer isso: “romântica e sensível” são adjetivos que sempre estão no perfil dos “peixinhos”. Mesmo me fazendo de durona (ninguém acreditaria na sensibilidade não fosse o tal do zodíaco), me entrego de corpo e alma ao romance e drama dos cinemas. Choro, sofro, torço… eu entro na história, porque se não for para ser assim, nem dou o “play”.
Dentro de todo o catálogo dramático que temos disponível, escolhi cinco filmes que me fazem secar as glândulas lacrimais. Eu poderia citar cinco filmes de Nicholas Sparks (só coloquei um), rei do sofrimento, mas fiz uma seleção afinada e garanto que uma maratona num domingo de frio, embaixo das cobertas, com uma xícara de café na mão e um donout na outra, seu coração não será mais o mesmo; seu mapa astral desenvolverá uma participação especial da constelação pisciana.
  1. Cidade dos Anjos (1997)
Direção: Brad Silberling
Elenco: Meg Ryan e Nicolas Cage
Sinopse: A história é simples… um anjo (Nicolas Cage), toma conta de Los Angeles (rá!) e se apaixona por uma cirurgiã (Meg Ryan), que acaba de perder um paciente.
Motivo do choro: A gente começa chorando de saudade da época que Nicolas Cage e Meg Ryan eram fantásticos. Falando sério… além da trilha musical LINDA (Alanis Morissette, U2, Goo Goo Dolls, Sarah McLachlan, Peter Gabriel…), ver um anjo dividido entre seu trabalho, que é cuidar das pessoas e um grande amor, não é nada fácil. Ainda mais, por ser o famoso primeiro amor. A narrativa é construída de forma emocionante, sem ser cansativa, ela prende. O filme tem sensibilidade, as cenas são bonitas e o detalhe do divino versus homem é tocante. É um tanto filosófico, bate a famigerada “bad”. Não quero entrar em mais detalhes, porque sinto que vou chorar ou falar algum spoiler, portanto, só vou recomendar uma coisa: encha a bacia de pipoca e separe uma caixa de lenços. Se estiver vivendo algum conflito amoroso, deixa a bateria do celular descarregada.
Curiosidade: Soube, há pouco tempo, que é remake de um filme alemão chamado “Asas do Desejo”, do diretor Wim Wenders (diretor do documentário “O Sal da Terra”, com Juliano salgado, que ganhou o Oscar de Melhor Documentário em 2015, sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado). Não assisti, mas pretendo.

  1. Doce Novembro (2001)
Direção: Pat O’Connor
Elenco: Charlize Theron e Keanu Reeves
Sinopse: Uma mulher (Charlize Theron) convence a um homem sem tempo para nada (Keanu Reeves) a passar um mês com ela e descobrir que a vida é muito mais do que só trabalhar.
Motivo do choro: Tem Enya na trilha, já sabe, né? Feito para chorar. É clichê? É! Mas tem seu diferencial, que é uma história que tem prazo para acabar. Charlize e Keanu têm sintonia e isso ajuda o público a se envolver ainda mais com os personagens. Os diálogos são bem construídos e as histórias de vida de Sara e Nelson são as mais improváveis de se cruzarem. O improvável sempre nos arrebata, né?! O filme é doce, como diz o título, tem um cenário lindo e atuações que emocionam, porque o roteiro é perfeito. O início do filme é MUITO BOM. É uma das minhas partes favoritas.
Curiosidade: Também descobri que esse filme maravilhoso é remake.  O original, que também se chama “Sweet November”, é de 1968, dirigido por Robert Ellis Miller.

  1. À Primeira Vista (1999)
Direção: Irwin Winkler
Elenco: Mira Sorvino e Val Kilmer
Sinopse: Um homem (Val Kilmer), que ficou cego em um acidente na infância, se envolve com uma mulher (Mira Sorvino) e descobre a possibilidade de enxergar novamente.
Motivo do choro: Olhar o rostinho de galã de Val Kilmer. O filme é sensorial. Ele mostra para gente todos os sentidos e a vida de uma pessoa cega. A possibilidade de voltar enxergar, deve ser uma dádiva, principalmente, a chance de ver o rosto da pessoa que se ama. As descobertas de Virgil (Val Kilmer), como um homem que enxerga, é emocionante, porque não fazemos ideia da grandeza que temos, que é ver o mundo ao nosso redor. “À Primeira Vista” também nos mostra como o amor é transformador e que para ele sobreviver, o altruísmo tem que vir antes de qualquer coisa.
Curiosidade: O filme é baseado em fatos reais. A história é de Shirl Jennings, que serviu como base para o ensaio “Para Ver e Não Ver”, do neurologista Oliver Sacks.

  1. Diário de Uma Paixão (2004)
Direção: Nick Cassavetes
Elenco: Rachel McAdams e Ryan Gosling
Sinopse: Um senhor vai, todos os dias, a um asilo para ler uma história para uma senhora, que tem um grave problema de memória.
Motivo do choro: Allie (Rachel McAdams) e Noah (Ryan Gosling) se conhecem num parque, na década de 40 e se apaixonam. Ele pobre, ela de uma família rica e preconceituosa, precisam enfrentar a tal família, a guerra e os gênios fortes para conseguirem viver a paixão. A fotografia do filme é um presente para o espectador. Os diálogos são aqueles que você quer colocar no Facebook, na legenda com mozão. Rachel e Ryan são lindos juntos. Fora isso, posso dizer: Nicholas Sparks e isso dispensa mais comentários, porque qualquer coisa é spoiler.
Curiosidade: Rachel e Ryan não se suportavam. Durante as filmagens, Ryan chegou a pedir para o diretor trocar a atriz, porque “não estava suportando”. O diretor reuniu os dois e um produtor e se reuniram numa sala, onde um começou a gritar com o outro. A partir daí, as coisas fluíram, a química dos dois no filme é de outro mundo. Não é à toa, que pouco tempo depois, eles começaram a namorar e o relacionamento durou quatro anos.

  1. Encontro Marcado (1998)
Direção: Martin Brest
Elenco: Claire Forlani, Brad Pitt e Anthony Hopkins
Sinopse: A Morte (Brad Pitt) precisa levar dessa para melhor um milionário (Anthony Hopkins). Porém, a dona da foice está interessada nos hábitos humanos e faz um trato com a sua vítima: se ele lhe ensinar sobre os costumes dos homens, poderá ficar mais tempo nesse plano.
Motivo do choro: A Morte se apaixona pela filha do milionário (Claire Forlani). Isso parece um spoiler brutal, mas não se assuste, já que o filme tem três horas de duração e muita coisa acontece. É um roteiro que não tem pressa, então não espere por um filme corrido. “Encontro Marcado” é rico por seus detalhes, pelas descobertas da Morte sobre o que é a vida, pela descoberta das diversas formas de amor, sobre despedida e encontros. A Morte é perspicaz, mas ao se apaixonar é como qualquer outra pessoa. A cena de diálogo da Morte com uma senhora no hospital é incrível. “Encontro Marcado” é um dos meus filmes favoritos. Deixei por último para encerrar com chave de ouro. Atenção para a trilha sonora, que é fantástica! Um dos meus maiores desejos é achar esse CD.
Curiosidade: Também é um remake! O original se chama “Death Takes a Holiday”, de 1934, dirigido por Mitchell Leisen. Já foi refilmado para a TV, em 71. É baseado na peça “La Morte Va In Vacanza” do italiano Alberto Casella.
Publicado originalmente aqui.

This Is Us - 1ª Temporada


This Is Us
Existem diversas séries sobre família. Novelas geralmente abordam o tema “família”. Filmes. Peças de teatro. Músicas. Fotografias. Nossas lembranças.
Família está presente em tudo. Do dia que nascemos até o dia em que fecharemos os olhos desses corpos, que vagam pela Terra, a palavra “família” nos acompanhará. Seja pelo amor que temos a ela ou pela falta de empatia. Mesmo assim, não há um ser humano que não tenha um laço ou deseje ter com, pelo menos, um membro de sua família. Pode ser de sangue ou não. Muitas vezes, escolhemos a família que queremos por perto e damos o nome social de “amigos”.
Depois de fazer uma maratona de “You me Her”, meu tema na semana passada, uma amiga minha disse que eu precisava (sim, necessidade mesmo) assistir “This Is Us”. Vi que a série estava na primeira temporada, fiz uns cálculos e vi que poderia acompanhar. Confesso que não cheguei ainda ao último episódio. São 18 e eu assisti 11. Mas me encantei com essa série de uma forma… E uma outra amiga minha assistiu e já disse que apaixonou, que a série fez sentido em sua vida. Ou seja: não poderia deixar passar em branco.
Não escuto muito as pessoas falarem dela. Na verdade, além de Bruna (a amiga que me indicou), só mais uma pessoa (não lembro quem foi) me disse que era uma série maravilhosa. E eu constatei que essa é a mais pura verdade. É complicado trabalhar, ter uma vida social e acompanhar todas as séries fantásticas, que as emissoras produzem. É muito pouco tempo para “maratonar”. É muito pouco tempo para a gente se apaixonar por vários personagens, para se deixar levar por aquela história. Mas quando começo a assistir, quando me proponho a passar uma noite em claro, não aceito menos que um amor platônico pela série.
“This Is Us” é a história de um jovem casal que tem trigêmeos ou as histórias dos trigêmeos, que são filhos de um jovem casal; um pouco de cada. Desde o primeiro episódio a gente se apaixona pelo personagem de Milo Ventimiglia, “Jack Pearson”. Um cara jovem, bonito, apaixonado pela mulher, educado, boa cabeça e família. A mulher sortuda é interpretada pela atriz a cantora Mandy Moore, “Rebecca Pearson”. Uma jovem, bonita, apaixonada pelo marido, educada, nem tão boa cabeça assim e bem família.
A partir da história desse casal, de um ator famoso, de uma mulher obesa e de um cara negro em busca do pai, é que as crônicas vão sendo construídas e tudo vai se entrelaçando de uma maneira tão bem construída, que o telespectador se envolve e já entra para aquela família sem nem pedir licença. As buscas dessas pessoas são apresentadas, para gente, em cada episódio e nos identificamos. Pode não ser ao pé da letra, mas é uma série tão real, que a gente se identifica com as vitórias e frustrações diárias, que os personagens passam. É realmente emocionante e bonito. A vida nunca é fácil, mesmo que você seja bem-sucedido no seu trabalho. Mesmo que você faça parte de uma família bem estruturada. Mesmo que você seja uma pessoa boa.
“This Is Us”, ao meu ver, é a representação, talvez até um pouco cruel, de todos os obstáculos que enfrentamos na vida, desde o dia em somos concebidos. Não há como fugir de problemas; sejam eles físicos ou emocionais, estarão ali, em forma de insatisfação com algo. Não há ninguém completo. Talvez, não há nem a possibilidade de ser completo, mas há a fantástica possibilidade de partilhamos a vida com pessoas que amamos e que nos amam de volta.
No primeiro episódio, você pode ficar um pouco confuso. Ele apresenta duas histórias e a gente fica um pouco perdido, mas quando faz sentido… é aí que você não tem mais escapatória e vai direto para o segundo episódio.
Eu estou cadastrada em um site onde marco os episódios das séries que assisto, para não me perder, já que são muitas. Nesse site, você pode comentar os episódios, um a um, dar nota neles e “favoritar”. “This Is Us” tem a nota geral 9,25/10. No IMDb, ela possui 8,9/10. No Rotten Tomatoes, 89%/100%.
Para quem está precisando de uma série mais séria, que envolva e tenha um tema comum, mas abordado de uma forma diferenciada, essa é minha dica da semana. O elenco é fantástico e tem sintonia. Isso já é 50% para uma série ser tão boa, ainda mais, quando há vários núcleos e temas abordados. A trilha sonora também é excelente.
Separe o lencinho, acalme o coração e se entregue. Um bom drama familiar!
“This Is Us” é exibida pela emissora NBC, já tem uma temporada completa e foi renovada para mais duas (ainda bem).

Texto publicado originalmente no site Feminino e Além.

Me Chame Pelo Seu Nome - Trailer Legendado


Sinopse: O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana quando Oliver, um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai, chega.


Uma Mulher Fantástica


Uma Mulher Fantástico

Uma cantora de salsa namora um homem mais velho. Ela sonha em ser cantora lírica, mas garçonete é o trabalho que tem para hoje. Quando Orlando, seu namorado, morre inesperadamente, Marina (Daniela Vega) entra em contato com a família do homem para comunicar o ocorrido. A partir daí, Marina, que já revelada ao público como uma mulher transexual, em uma cena sútil de sexo, entre ela e seu parceiro, precisa enfrentar a família do mesmo, o preconceito da ex-mulher e do filho do cara, da polícia e de toda a sociedade. 

Marina não quer nenhum bem material, só o cachorro, que foi deixado para ela e o direito de se despedir do seu amor. Mas nada disso lhe é permitido. Além de ser obrigada a devolver o carro e sair do apartamento (expulsa mesmo que de modo educado e prazo), após a morte de Orlando, Marina é excluída do velório, agredida verbalmente, fisicamente e psicologicamente. 

O diretor Sebastian Lelio, que assina também o roteiro com Gonzalo Maza, leva a dolorosa realidade LGBT aos cinemas e entrega um filme excelente, emocionante, que toca quem assiste por sua crueldade com um ser humano, que não tem nenhuma diferença para qualquer outro. Qualquer uma que achem, pode ter certeza de que não é real. A orientação sexual de qualquer indivíduo, não diz respeito a ninguém. Quando o seu parceiro estava vivo, a família se manteve afastada por não entender a forma que Orlando amava.

Como se isso tudo não fosse o bastante, Marina passa por constrangimentos "legais", uma vez que seus documentos ainda têm registrado seu nome antigo "Daniel", que ela afirma está em mudança e são encontradas marcas no corpo de Orlando. A cena em que ela precisa se despir e é mostrada a conversa do médico com uma policial, leva qualquer um ao nervosismo por tanta humilhação sem sentido. 

A beleza do filme, está todo na mulher fantástica do título. Em como ela não se deixa abater e luta para seguir em frente e conseguir o que quer, porque ela tem direito. Há uma cena em que ela encara um ventania, que tenta a todo custo levá-la contra o seu destino, porém ela se mantém firme, se protegendo como pode e seguindo em frente. Se há uma cena mais emocionante e cheia de significados do que essa, eu não me recordo, mas essa mexeu bastante comigo. 

Em países emergentes, onde o preconceito é letal para a comunidade LGBT, filmes como esse, precisam surgir, todos os dias. A intolerância, mesmo que no filme não seja apelativa, mas está lá na sua forma cruel, precisa ser retratada, porque os maiores índices de assassinatos por homofobia surgem desses lugares. É necessário educar para que o público entenda. Como a o governo não faz sua parte, pelo menos não como deveria, a arte se encarregar de levar o assunto para onde o público possa ter contato. 

A atriz Daniela Vega é uma mulher transexual belíssima e pode ser a primeira a ser indicada ao Oscar. Mais do que justo, é uma indicação merecida por um trabalho emocionante, envolvente e belo. 

"Uma Mulher Fantástica" estreia hoje, 7 de setembro, e precisa ser visto, entendido. Vale a pena pagar pelo ingresso, pelo combo da pipoca e refletir por qual motivo as pessoas insistem em querer determinar como as outras devem viver. Deixem SER! O mundo é bonito, justamente, por sua diversidade. Respeito em primeiro lugar.

O Castelo de Vidro


O Castelo de Vidro

Drama baseado na história da jornalista Jeannette Walls, traz lembranças da sua vida junto a família, que não tinha uma residência fixa e corria os Estados Unidos, muitas vezes, sem nem ter o que comer.

“O Castelo de Vidro” tem um pouco do filme “Capitão Fantástico”, mas há problemas mais profundos entre os membros da família, principalmente no que diz respeito ao pai. Apesar de amar seus filhos, a ideologia de vida de Rex (Woody Harrelson) muitas vezes deixou a desejar em relação aos filhos, mas ele acreditava no amor de suas atitudes e tinha o apoio de sua esposa, Rose Mary (Naomi Watts).

A narrativa que se constrói entre passado e atualidade para explicar como Jeannette (Brie Larson) chegou a sua vida atual. Por muitos momentos, o drama familiar faz o público odiar Rex e achar Rose Mary permissiva com as coisas absurdas que ela acaba aceitando que seus filhos vivam. Mas como criticar a infância que moldou adultos, aparentemente, felizes com o que são e com as experiências que viveram? Assim como em “Capitão Fantástico”, é possível que muitos se perguntem se aquele estilo de vida é aceitável. Mas só por que é diferente não seria? Tantas pessoas vivem com menos intensidade e menos problemas que a família de Jeannette e acabam seguindo por caminhos mais obscuros... o que não é errado também. A intensidade de sentimentos é algo que não se pode ser discutido.

“O Castelo de Vidro” provoca uma reflexão sobre família e de como a relação que é construída com essa base vai moldar quem você será no futuro. Apesar de ser um filme mais lento, ele constrói a narrativa de forma que o público se envolva com os personagens e acabe sentindo todas as angústias da protagonista, sem muito exagero. É um filme emocionante, não só por ser baseado em uma história real, que muitos devem viver; mas por ser uma história que muitos outros não estão acostumados ou que nem imaginam que alguém, principalmente alguém de nome, possa viver. Serve como um alerta de que outras realidades existem.

As interpretações estão incríveis e dignas de Oscar. A atriz que interpreta Jeannette pequena, no momento em que o pai fala de uma queimadura que ela sofre, é de arrepiar. Um dos melhores filmes que abordam família, que já assisti. Destin Daniel Creatton, diretor do filme, acertou em cheio na atmosfera necessária para criar um drama, que não é piegas, mas que faz com que as lágrimas rolem na sala de cinema.

“O Castelo de Vidro” estreia hoje, 24 de agosto e merece ser assistido. Jeannette merece que sua coragem de dividir uma história tão pessoal seja recebida pelo grande público. Prepare a pipoca, o refri e o lenço. Grande filme!

Planeta dos Macacos: A Guerra


Planeta dos Macacos: A Guerra

Cesar está de volta, pronto para encarar uma guerra e encerrar a fantástica trilogia dos macacos!

O título do último filme anuncia o que o espectador vai ver no cinema. No entanto, a experiência é vivida muito mais em torno de um drama, do que a ação de uma guerra em si. Mas não há problema, porque é um excelente drama.

O longa se inicia com os macacos vivendo em sociedade, dando continuidade ao que aconteceu no segundo filme “Planeta dos Macacos: O Confronto”, onde muitos humanos morreram contaminados por um vírus. A comunidade primata está em paz, mas o Coronel (Woody Harrelson) está disposto a tudo para que os animais sejam extintos do planeta.

Na jornada para salvar seu povo, Cesar vai percorrer um longo caminho, com muita perda, revolta e frustrações, mas vai encontrar apoio de seus amigos fieis, uma garotinha muda, um macaco falastrão e engraçado, o Bad Ape e todos os símios que confiam na inteligência estratégica dele.

É um filme emocionante, porque além de ser totalmente focado nos animais, há cenas belíssimas que mostram o relacionamento entre os personagens. A construção dos mesmos, inclusive, é um efeito arrebatador, uma vez que, a maior parte do filme é construída por computador.

O roteiro de Mark Bomback e a direção de Matt Reeves, que dirigiu também o filme anterior, se mostram sensíveis e fortes ao mesmo tempo, levando um blockbuster para o público, mas com um diferencial. Não é só barulho, ação e um roteiro só para entreter naquele momento. Talvez, até seja um equívoco a palavra “guerra”, no título. O terceiro filme do Planeta dos Macacos é sobre empatia, vingança, família, responsabilidade, liderança e desprendimento. Muitos podem achar arrastado e lento. Lento, de fato, é. Mas arrastado parece ser uma coisa tão ruim, que jamais poderia concordar.

De forma extremamente pessoal, foi um dos filmes que mais me emocionou em 2017. Se eu já era fã de Cesar, saí do cinema mais apaixonada pela grande trajetória e crescimento que o personagem teve ao longo desses filmes. O terceiro filme é a prova de que os macacos dão conta de protagonizarem um filme desse porte.

Vale lembrar que Matt Reeves substituiu Ben Affleck na direção de “The Batman”, novo filme do herói. Dá para acreditar que o Homem-Morcego está em boas mãos.

“Planeta dos Macacos: A Guerra” estreia hoje, 03 de agosto e vale a pena demais! Adianto: não vá esperando tiro, porrada e bomba ou irá se decepcionar. A pipoca, o refrigerante e o chiclete são um bom complemento para acompanhar esse filmão.

Gypsy

Gypsy

O drama psicológico "Gypsy" teve suas primeiras imagens divulgadas essa semana. Dirigido por Sam Taylor-Johnson (Cinquenta Tons de Cinza) e criado por Lisa Rubin, a série ainda não tem data de estreia.

Naomi Watts estrela a série de 10 episódios, que trará a história de Jean Holloway, uma psicóloga que se desenvolve relações com pessoas importantes das vidas de seus pacientes. O ator Billy Crudup viverá o marido de Jean. 

Coisa boa vindo por aí!

Confira as imagens:





Beleza Oculta


Beleza Oculta

É o tipo de filme piegas. A maioria vai odiar, porque é mais fácil odiar o que todo mundo odeia do que procurar as coisas boas. Acontece com a maioria dos filmes de Will Smith, já me pergunto se ele está na mesma escala de ódio que Ben Affleck ou se o nosso atual Bruce Wayne ainda é, disparado, o número da lista.

Eu achei “Beleza Oculta” muito bom. Porque se formos parar para analisar, é um filme que pode falar da vida de qualquer um. E eu gosto disso! Como já disse em outras resenhas, eu adoro me identificar com algo no filme. É claro que quando nesse tal filme tem uns atores que sou fã, minha predisposição é maior ainda.

Howard, personagem de Will Smith, é um homem bem sucedido que após a morte da filha de seis anos, passa a escrever cartas para a “Morte”, o “Amor” e o “Tempo”. Ler isso soa ridículo e talvez seja mesmo, mas quantas pessoas não gostariam de fazer o mesmo? Melhor ainda: quantas pessoas gostariam de fazer o mesmo e obter uma resposta?

Howard consegue um “encontro” com suas três desavenças. A Morte vem em forma de Helen Mirren (que pode fazer o papel do que quiser e sempre dará um banho de interpretação): filosófica, insistente e dispensável. O Tempo vem em forma de Jacob Latimore: jovem e inconsequente. O Amor vem em forma de Keira Knightley: linda, triste, alegre e gentil.

Enquanto isso, Whit (Edward Norton), Claire (Kate Winslet) e Simon (Michael Peña) lutam para que a empresa onde trabalham, que é de Howard, amigo deles, não perca todos os clientes. Além disso, eles tentam ajudar o amigo a sair da depressão.

Não posso negar que os diálogos parecem ter sido feitos para dar efeito e o filme para fazer chorar, mas a questão é que funciona. Talvez, algumas das respostas clichês da trindade seja resposta para mais pessoas. Em uma época em que o ser humano anda tão sem tempo, sem amor ao próximo e cada vez mais perto do “fim”, parar para refletir um pouco sobre essas três “divindades”, mesmo que seja em forma de filme, é válido.

Pode ser que não se leve nada para a vida pessoal, mas pode ser que alguns questionem algumas coisas internas. Eu pensei: para “quem” eu escreveria cartas? E pensei quais seriam as respostas. Será que eu consigo enxergar a Beleza Oculta?

Um bom filme para ser assistido e refletido.

“Beleza Oculta” estreia hoje, 26/01. 

Manchester À Beira-Mar


Manchester À Beira-Mar


Mais um dos filmes queridinhos para o Oscar chega aos cinemas. 

Manchester À Beira-Mar levou Globo de Ouro de Melhor Ator, graças a atuação do polêmico irmão caçula de Ben Affleck, Casey Affleck. 

Sua vida pessoal deveria ser considerada na hora de levar um prêmio? Certamente. Porque nenhum homem acusado de assédio sexual, ainda mais, por duas vezes, deveria ser reconhecido por nada, mas as coisas em Hollywood não funcionam bem assim. 

Então, quando entrei na cabine, me rendi a hipocrisia da indústria cinematográfica e tentei deixar do lado de fora Casey Affleck e encarar apenas Lee Chandler, seu personagem.   

O resultado é, de fato, maravilhoso. A atuação dele está inquestionável, assim como o roteiro do filme, fotografia, direção e trilha. 

Lee é um homem que trabalha de zelador, quando recebe a notícia do falecimento do irmão e precisa retornar à cidade onde morou. Quando volta, encontra o sobrinho e tenta resolver as questões burocráticas do enterro do irmão, mas acaba por descobrir que é o novo tutor do garoto órfão. 

Lutando contra essa responsabilidade, Lee revela aos poucos o que fez deixar Manchester para trás. E suas lembranças são dirigidas de maneira espetacular. 

A história é pesada, sofrida é angustiante. É impossível não se colocar no lugar dele e entender o motivo dele fugir tanto e de ter se tornado “aquilo”.

As cores do filme representam bem a intensidade do sofrimento daquele homem. O tempo frio, o tempo todo. Até mesmo no figurino é perceptível ver que ele se fechou para o mundo. 

Michelle Williams faz Randi, a ex-mulher de Lee, e no pouco que aparece, apresenta muito bem a sua personagem. Não é uma das minhas atrizes favoritas, mas ultimamente tem sido impossível colocar em xeque a sua interpretação. 

O ponto alto do filme, para mim, além de ser a revelação da transformação daquele homem, tão carinhoso para um homem tão distante, é a cena do reencontro deles dois. Impossível não se abalar com a veracidade dos sentimentos que ambos colocaram ali. 

Um filme belíssimo, que entra para um dos melhores dramas que já vi, na vida, mas que não posso deixar de pensar em como queria outro ator ali. 

Manchester À Beira Mar estreia hoje e merece ser muito ser visto na tela grande. 


A Luz Entre Oceanos



“Você só tem que perdoar uma vez. Mas para se ressentir, você tem que fazer isso o dia todo, todo dia. Tem que ficar se lembrando de todas as coisas ruins.”

Baseado no romance homônimo de M.L. Stedman, “A Luz Entre Oceanos” chega às telonas sob a direção e roteiro de Derek Cianfrance; com Michael Fassbender, Alicia Vikander e Rachel Weisz.

“Tom Sherbourne” trabalha num farol e mora com a esposa, na região costeira da Austrália, isolado do resto da cidade. Após tentativas frustradas de terem um filho, “Tom” e “Isabel” encontram um barco à deriva com um bebê e um homem morto. Com tanta tristeza por conta dos abortos de “Isabel”, eles decidem ficar com a criança e cuidar dela, como se fosse filho deles.

O filme é um drama pesado e a tristeza paira nas duas horas e meia, até mesmo nas cenas felizes. Talvez seja o tom melancólico dele, que está ali, do início ao fim. Não li o livro, mas caso o filme seja fiel, imagino que deva ser uma leitura difícil e arrastada, para que se tome fôlego e possa seguir em frente.

Contudo, o filme é muito bom! Um pouco longo, mas bom. Algumas vezes, torci para que acabasse logo, porque é difícil digerir. Digerir, inclusive, os seus princípios ali. Você torce para uma personagem que é errada, mas não chega a ser uma vilã. Deseja que outra, que é a certa, mas não chega a ser a mocinha, deixe tudo do jeito que está e siga sua vida. Entretanto, ao se por no lugar dela, a gente se pergunta se faria isso. É complexo!

Me arrancou da minha zona de conforto, no cinema e me fez ir para Austrália, tentar resolver tudo pacificamente. Impossível.

A fotografia do filme é uma atração à parte. Vale a pena ser vista e admirada.

Alicia Vikander ratifica o motivo de ter ganhado um Oscar (atriz coadjuvante) esse ano. Sua interpretação é a certeza de que, em pouco tempo, ela receberá o maior prêmio do cinema, mas dessa vez, como melhor atriz. Sua personagem que tem, a princípio, a ousadia da juventude, vai se transformando em uma mulher feliz, depois numa mulher deprimida e, em seguida, numa mulher desesperada, cheia de remorso e raiva. Trabalho impecável da atriz.  Michael Fassbender como um homem cheio de traumas, que segue sua vida com poucas palavras, mas cheio de bondade, princípios e amor, ratifica, também, a frustração por ele não ter uma estatueta em casa. Ele fica melhor a cada dia! Rachel Weisz não fica atrás. A personagem tão cheia de dúvidas e certezas sobre como lidar com a situação, passa o sofrimento com muita facilidade para quem assiste. É quase impossível não se colocar nos lugares de todos.


Para quem gosta de um drama intenso, onde as chances de derramar lágrimas são de 99,9%, “A Luz Entre Oceanos” entrega de forma bonita, mas triste, um dos filmes mais pesados que já assisti. 

A Garota no Trem - Trailer Legendado





Confira o trailer legendado de "A Garota no Trem".